O Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia Legal (MAMA) é criado oficialmente, no Encontro Internacional de Mulheres da Floresta Amazônica , realizado em Rio Branco/ Acre, nos dias 13 a 17 de dezembro em 1998, com a participação de 250 mulheres da Amazônia Legal Brasileira e algumas convidadas de países amazônicos vizinhos, como uma rede de resistência para lutar por direitos, igualdade e justiça social.
O MAMA nasceu da necessidade de unir forças entre mulheres amazônidas diante das desigualdades históricas, da exploração econômica e da violência contra mulheres das comunidades tradicionais, dos povos originários, da área rural, da periferia e na defesa dos seus corpos-territórios.
O MAMA se estruturou a partir da vontade de aproximar coletivos, entidades, organizações, grupos e associações que já atuavam em defesa das mulheres da Amazônia, criando um espaço coletivo de articulação.
O MAMA, por ser um movimento social de caráter coletivo e não institucionalizado, enfrentava limites para acessar determinados espaços formais e garantir a execução de projetos. Foi nesse contexto que, em março de 2002, nasceu o Instituto Mulheres da Amazônia (IMA). Sua criação representou um passo estratégico: o IMA passou a funcionar como a âncora institucional do MAMA, permitindo que a articulação das mulheres amazônidas tivesse respaldo jurídico e administrativo. A partir dele, tornou-se possível participar de editais, firmar parcerias e ocupar espaços institucionais que exigiam a formalização das organizações. Assim, o IMA não substituiu o movimento, mas o fortaleceu, oferecendo sustentação prática e legal para que as lutas do MAMA ganhassem ainda mais alcance e legitimidade.
Desde sua criação, o Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia Legal tem se dedicado a:
• Defesa dos direitos das mulheres em contextos urbanos, rurais, das águas, do campo e das florestas.
• Combate à violência de gênero, doméstica e familiar e especialmente em áreas de conflito por terra e recursos naturais.
• Valorização das mulheres indígenas e quilombolas, reconhecendo suas especificidades culturais e sociais.
• Luta por políticas públicas que garantam saúde, educação, moradia e participação política.
• Proteção da Amazônia e dos povos que nela habitam, entendendo que a preservação ambiental está diretamente ligada à vida das mulheres, dos povos amazônidas e à vida do planeta.
O MAMA se consolidou, fortalecendo a voz das mulheres amazônidas em debates nacionais e internacionais. Suas ações incluem:
• Formação política e qualificações de lideranças femininas.
• Denúncia de violações de direitos humanos em territórios amazônicos.
• Construção de alianças em defesa do meio ambiente e por justiça climática.
. Mobilizações de rua e atos culturais.
O MAMA é considerado um marco na história do feminismo brasileiro, pois trouxe para o centro da pauta nacional as especificidades da luta das mulheres amazônidas, que enfrentam não apenas o machismo estrutural, mas também os impactos da exploração ambiental, do desmatamento e da violência ligada a conflitos fundiários. O MAMA é uma rede feminista amazônida que articula mulheres de diferentes origens para enfrentar desigualdades, defender direitos e proteger a floresta e seus povos. Sua história é marcada pela resistência, pela força ancestral, pela solidariedade e pela construção de alternativas para uma sociedade mais justa, igualitária, fraterna e saudável.
Linha do Tempo do MAMA
Década de 1980
* Surgem os primeiros grupos feministas na Amazônia, ligados a associações comunitárias e movimentos sociais.
* Mulheres começam a se articular contra a violência de gênero e pela defesa dos direitos trabalhistas e sociais.
Início da década de 1990
* Formação de redes regionais de mulheres, buscando maior integração entre diferentes estados da Amazônia.
* O movimento começa a se consolidar como espaço de articulação política e social.
* 1998 – Criação do MAMA
* Objetivo: fortalecer a luta das mulheres amazônidas, dar visibilidade às suas pautas e integrar-se ao movimento feminista nacional.
* Participação em encontros nacionais e internacionais sobre feminismo, direitos humanos e meio ambiente.
• Elaboração da primeira Agenda das Mulheres da Amazônia 21/2030
Anos 2000
• Criação do IMA
* Expansão das ações de formação política e qualificação de lideranças femininas.
* Atuação em pautas ligadas à defesa da floresta, dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos.
* Denúncia de violações de direitos humanos em áreas de conflito fundiário e ambiental.
* O MAMA se consolida como referência na luta feminista amazônida.
* Participação em campanhas nacionais contra a violência de gênero e pela igualdade de direitos.
* Fortalecimento da presença das mulheres amazônidas em espaços de decisão política.
Atualidade
* O MAMA continua ativo como rede feminista regional, articulando mulheres de diferentes origens (urbanas, rurais, indígenas, negras, quilombolas, ribeirinhas, das florestas).
* Suas pautas seguem ligadas à defesa dos direitos das mulheres, à preservação da Amazônia, à justiça social, climática, da floresta e dos corpos-territórios das mulheres amazônidas.